1.º Curso Clínico sobre HIV e infeções oportunistas em Oé-Cusse

1.º Curso Clínico sobre HIV e infeções oportunistas em Oé-Cusse

Lutar contra o estigma e pela deteção precoce do HIV é desafio «possível de vencer»

23 médicos de postos e centros de saúde e do Hospital Regional de Oé-Cusse estão, de hoje, 13 de maio de 2019, até dia 17, a frequentar, nas instalações da Clínica do Coração, o 1.º Curso Clínico sobre HIV e infeções oportunistas, numa iniciativa da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA – ZEESM – TL), com o apoio do Ministério da Saúde e do Laboratório de Timor Leste e dinamizada e financiada pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).

«Timor-Leste, e Oé-Cusse, têm uma oportunidade importante: travar o HIV enquanto a sua taxa de prevalência é baixa», disse Ronny Lindstrom, representante do UNFPA, na sessão de abertura dos trabalhos do 1.º Curso Clínico sobre HIV e infeções oportunistas em Oé-Cusse. «Para o sucesso desse desafio, a que chamámos 90-90-90 (90% de todas as pessoas com HIV estarem informadas do seu estado; 90% de todas as pessoas com diagnóstico de infecção pelo HIV receberem terapia anti-retroviral prolongada; 90% de todas as pessoas que recebem terapia anti-retroviral terem supressão viral) é necessário dotar os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e parteiras, das ferramentas necessárias não apenas para diagnosticar e tratar os pacientes mas, também, para educar a população e reduzir o estigma e a discriminação associadas ao HIV», aduziu Ronny Lindstrom. «As pessoas têm de saber que podem fazer o teste sem serem julgadas e que a sua privacidade será respeitada, só assim conseguiremos garantir um diagnóstico atempado», explicou. Por outro lado, «a comunidade tem de saber que, diagnosticadas e tratadas, as pessoas com HIV podem viver vidas produtivas, felizes e completas, ou seja, com a mesma esperança de vida que os demais. Só assim conseguiremos acabar com o drama, revelado por um relatório recente, da discriminação: 31% dos pacientes participantes neste estudo disseram ter sido marginalizados pela sociedade, família e amigos incluídos; alguns sofreram mesmo maus-tratos, verbais ou físicos, foram abandonados ou expulsos de casa», alertou. «Timor-Leste tem a sorte de ter uma baixa taxa de prevalência de HIV e as pessoas com HIV têm a sorte de ter acesso gratuito a medicação anti-retroviral, mas esta é uma infeção que se pode propagar rapidamente em Timor-Leste, por isso o tempo de agir com bons resultados é agora», acrescentou, lembrando que o HIV tem «forte impacto na comunidade, tanto a nível social como económico». «Precisamos de mais testes, de mais conhecimento, de mais sensibilização e de mais compreensão», concluiu, manifestando a total disponibilidade do UNFPA para continuar a ser um parceiro na luta pela melhoria da qualidade de vida em Oé-Cusse.

Numa sessão que contou ainda com a presença, na mesa, da Dra. Sheena Viegas, do Ministério da Saúde; da Dra. Maria Dolores, do Laboratório Nacional; e de Marcos Seo, Diretor Interino de Saúde, coube ao Secretário Regional Adjunto do Presidente para apoio na coordenação das áreas da Educação, Social, Saúde e Administração, Arsenio Bano, sublinhar, em representação do Presidente da Autoridade, S.E. Dr. Mari Alkatiri, ausente por motivos de agenda, que «o desafio é grande mas é possível». Agradecendo a todos os presentes e a todos os que tornaram este curso possível, nomeadamente a Dra. Danina Coelho, assessora para a Saúde do PA, e aos representantes das entidades parceiras, Arsenio Bano assumiu a ambição da Região em termos de mais e melhor saúde para todos. «Vai levar o seu tempo, vai envolver médicos e outros profissionais de saúde, famílias, a comunidade toda, mas é possível e é possível em Oé-Cusse que, como o Presidente da Autoridade faz questão de lembrar sempre, tem de ser um exemplo para o resto do país. Este é o nosso trabalho, vamos fazê-lo», concluiu, cumprindo o ritual de bater na mesa para dar início aos trabalhos.
Até sexta feira, 17 de maio de 2019, os 23 médicos participantes vão abordar, entre outros, temas como o diagnóstico de HIV, as infeções oportunistas, o tratamento em adultos e adolescentes, a profilaxia, o estigma e a discriminação e a prevenção da transmissão mãe-filho.