Em Oé-Cusse «o combate à Tuberculose passa pelo combate à pobreza»

Em Oé-Cusse «o combate à Tuberculose passa pelo combate à pobreza»


O Presidente da Autoridade da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA – ZEESM – TL), Sua Excelência Dr. Mari Alkatiri, presidiu esta manhã de quarta feira, dia 20 de fevereiro de 2019, a uma sessão de preparação de Plano de Acção para a eliminação da Tuberculose da Região até 2035, em linha com o Plano Estratégico Nacional.

O Salão das Madres Dominicanas, em Oebau, foi o palco escolhido para esta iniciativa, que contou com a presença de dezenas de agentes envolvidos na luta contra a Tuberculose, de médicos a enfermeiros, passando por dirigentes do setor da Saúde e pelos responsáveis locais das Finanças, Agricultura e Desenvolvimento Rural e Turismo Comunitário, respetivamente os Secretários Leónia Monteiro, Saúl Régio e Inácia Teixeira. «A Tuberculose é um problema transversal, com razões transversais e, portanto, as soluções também têm de ser transversais», afirmou o Presidente da Autoridade. «É um problema de saúde pública mas também de alimentação, de condições das habitações e, em última análise, de pobreza. O combate à tuberculose é, tem de ser, o combate à pobreza», defendeu S.E. Dr. Mari Alkatiri. O mesmo defendeu a convidada especial desta sessão de trabalho, a pneumologista brasileira Patrícia Canto Ribeiro, da Fundação FioCruz. «A tuberculose é um problema grave também no Brasil, e sim, é mais do que um problema médico, é um problema que passa pela nutrição, pelas condições das habitações e pela educação e pela cultura», sustentou a especialista com mais de 20 anos de experiência. «É preciso educar para a prevenção e é preciso combater o estigma e o preconceito que rodeiam os doentes e as suas famílias e que, muitas vezes, são responsáveis por atrasar o diagnóstico e o tratamento atempado da tuberculose», explicou.

Ao longo de todo o dia, pessoal clínico e não clínico partilhou experiências, dificuldades e propostas de abordagem que contribuirão para a elaboração do Plano de Acção para a eliminação da Tuberculose da Região até 2035.

Uma causa ambiciosa

Recorde-se que a Tuberculose ainda lidera a lista das dez principais causas de morte em Timor-Leste. O tratamento, longo, exige observação e medicação diária, e deve ser estendido a toda a família, para evitar o contágio.

Cientes das dificuldades que esta e outras patologias infecto-contagiosas representam, a equipa local apresentou, há menos de um mês, numa reunião conduzida pelo diretor interino da Saúde, Marcus Seo, o ponto da situação, sublinhando a necessidade de investimento em medidas sociais (combate à malnutrição, apoio nas deslocações até unidades de saúde, etc) e condições estruturais (espaços de isolamento, unidades de rastreio, etc) para que o combate contra a Tuberculose, Lepra, Malária e HIV possa ter um resultado positivo.

Concluída a apresentação, o Presidente da Autoridade afirmou-se completamente solidário com o objetivo de eliminar a Tuberculose da Região e determinado a encabeçar politicamente este desafio, liderando a busca de apoios e parceiros internacionais que possam ajudar com conhecimento, boas práticas e financiamento.

O Plano de Eliminação da Tuberculose da RAEOA – ZEESM-TL deverá ser lançado publicamente a 24 de Março de 2019, data em que se assinala o Dia Mundial da Tuberculose.