Noite de emoções em encontro de veteranos timorenses e australianos

Noite de emoções em encontro de veteranos timorenses e australianos

Foi com dança que timorenses, expatriados de várias nacionalidades e veteranos australianos demonstraram a alegria do reencontro entre povos, e pessoas, que lutaram pela liberdade, segurança e independência de Timor-Leste, no reencontro realizado no Complexo 5 Restaurantes, em Pante Macassar, Oé-Cusse. Mais do que as palavras dos discursos que se fizeram ouvir na noite da passada sexta feira, 13 de setembro de 2019, em que se lembraram as dificuldades e os maus momentos mas também a esperança, a camaradagem e o sonho que guiaram timorenses e australianos no inesquecível ano de 1999, foi com música e dança que se soltaram as emoções, os sorrisos e as memórias. Depois, depois vieram as histórias, reais, histórias de superação e sacrifício e amizades forjadas num cenário de luta e dor, histórias de um episódio da História tão recente que foram os seus protagonistas, 20 anos volvidos, a contá-las de viva voz.

Foi o caso de Lafo, hoje com 34 anos, e que aos 14 foi escolhido, rapaz aventureiro e destemido, para calcorrear os quilómetros inóspitos que distavam entre Oé-Cusse e Díli, transportando escondida na sola da sandália a carta que pedia ajuda às forças da INTERFET.  Foi também o caso de Agostinho Lefi, o rapaz que ficou no coração de Robbie Boyle, Sargento do 6.º Pelotão da Companhia Bravo, do 3.º Batalhão do The Royal Australian Regiment (Paraquedistas), e dos seus homens, quando em 1999 estiveram em Passabe. As travessuras do rapaz, que vivia apenas com a avó, levaram a que agora, quase 20 anos depois, a primeira pergunta de Robbie ainda na fronteira fosse “Onde está o Agos?”. Estaria vivo? Bem? Mal tinham tido tempo para despedir-se e essa angústia nunca tinha abandonado os homens do pelotão. A resposta chegou rapidamente, na forma de um sorriso rasgado e ainda grato, já não o sorriso de um rapazinho mas o de um homem, feliz por reencontrar aqueles a quem nunca deixou de considerar família. A palavra foi, aliás, das mais usadas ao longo da noite. O veterano timorense Zeferino usou-a para dizer aos australianos que, em Oé-Cusse, estarão sempre em casa, e lembrou ainda que esta é uma amizade antiga, que data, pelo menos, do tempo da Segunda Guerra Mundial. O Presidente Interino da Autoridade da RAEOA – ZEESM TL, SE Arsenio Bano, mencionou-a para reforçar que Oé-Cusse está aberta ao mundo e, em especial, sempre pronta a receber amigos que fazem parte da família. Os veteranos australianos, por sua vez, não esconderam a satisfação de ver Oé-Cusse refeita da destruição de há 20 anos, organizada, limpa, bonita, cuidada e a crescer, para bem daqueles que nunca deixaram de ocupar um lugar especial nos seus corações.

A noite contou ainda com momentos culturais diversos, de teatro a danças tradicionais e até um desfile de moda com as cores e as texturas dos Tais a lembrar que o Futuro pode e deve fazer-se combinando o passado, os mais velhos e a tradição, com a inovação, a esperança e o arrojo da juventude.