Saúde

Porque as economias se constroem com base no trabalho de pessoas, um sistema de saúde justo e acessível é vital para qualquer crescimento.

Health Centers in Oé-Cusse, Timor-Leste. Credit: Rui Da Silva Pinto

Num passado não muito longínquo, Oé-Cusse não tinha boas infraestruturas de saúde.  Aspetos como estradas em más condições, que impediam o transporte fácil de medicamentos sensíveis à temperatura, ou o baixo nível de vida, que não atraía pessoal qualificado, e uma recorrente falta de recursos eram vistos como problemas inultrapassáveis.

Na visão da ZEESM TL, porém, cada pessoa deve ter acesso a cuidados básicos de saúde e todos os obstáculos a este desígnio devem merecer atenção e ser erradicados o quanto antes.

Tal como em Timor-Leste em geral, também em Oé-Cusse a saúde é gratuita, o que não a torna, no entanto, garantida. Para estar garantido o acesso à saúde, é necessário que cada pessoa possa aceder fisicamente a clínicas bem equipadas e com pessoal dedicado e motivado, desde logo, a trabalhar para solucionar os problemas de saúde mais básicos e urgentes sentidos pela população, tal como os causados pela má nutrição.

O+e-Cusse conta com um hospital em Pante Macassar, quatro centros de saúde comunitários baseados em Oseilo, Baqui, Passabe e Baocnana, e mais dezassete postos de saúde.  Uma nova clínica abriu em Pante-Macassar, reforçando as especialidades e as condições para o atendimento de habitantes e visitantes. Dotada de equipamento e recursos humanos adequados, a Clínica do Coração deverá fazer de Oé-Cusse, muito em breve, o destino privilegiado de toda a subregião para tratar problemas da saúde cardíaca.

O Hospital, baseado em Pante-Macassar, tem secções de emergência, cirurgia, otorrinolaringologia e raio x, bem como um laboratório de análises clínicas.

Dados

Sem dados concretos, nenhum progresso pode ser tentado nem quaisquer resultados podem ser analisados. A falta de dados rigorosos e atuais é um problema constante em Timor-Leste. Por esta razão, a ZEESM TL e a Autoridade de Saúde já investiram US$ 18.000 em 2016 na condução dum levantamento de cada família em Oé-Cusse a propósito dos respetivos problemas de saúde. Mais US$ 7.000 serão investidos em 2017 para prosseguir este trabalho. A ZEESM TL também se aliou ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de modo a conduzir um projeto de recolha de dados que otimize dados diários através de um formato passível de busca. Existem cinco pontos de recolha: o hospital em Pante-Macassar e os quatro centros de saúde comunitários em Oseilo, Baqui, Passabe e Baocnana. Estes cinco centros são servidos pelos 17 postos de saúde que fornecem dados aos centros para processamento e inserção na base de dados central, a DHIS2.

Acesso Rural

A maior parte de Oé-Cusse é rural. Para garantir atenção clínica permanente de modo atempado, a ZEESM TL teve de expandir os serviços de saúde e colocar profissionais nas clínicas locais.  Com base num relatório do Banco Mundial, 85% dos agregados familiares recorrem aos serviços de saúde.

Formação

Sempre que possível, a ZEESM TL procura empregar locais, sobretudo mulheres. Na emergência do hospital existem oito médicos, a maior parte mulheres, e em todo o hospital existem dez médicos, todos de Timor-Leste, sendo três de Oé-Cusse. Todos os 26 enfermeiros são de Timor-Leste, tanto homens como mulheres. As 13 parteiras são de Timor-Leste. Saudamos ambos os nossos cirurgiões, o nosso otorrinolaringologista e o nosso técnico de anestesia que viajaram de Cuba para nos prestarem apoio. O técnico de anestesia está a ajudar-nos a formar dois Timorenses, ambos de Oé-Cusse, com base nas suas competências, enquanto que o otorrinolaringologista está a formar dois enfermeiros.

Por outro lado, dois médicos Timorenses, um homem e uma mulher, ambos de Oé-Cusse, foram selecionados em Junho de 2017 para completarem formação complementar de modo a tornarem-se cardiologistas.