HIV/SIDA: informar, formar e sensibilizar para prevenir

HIV/SIDA: informar, formar e sensibilizar para prevenir

“Oé-Cusse está muito diferente do que era há dois anos”, afirma Daniel Marçal, presidente da Comissão Nacional de Combate ao HIV/SIDA de Timor-Leste, que ao longo de cinco dias, com a sua equipa, se encontra na Região para uma série de encontros destinados a informar e sensibilizar a população, em especial os mais jovens, para a problemática. “Oé-Cusse está a desenvolver-se muito rapidamente, com infraestruturas importantes como as estradas e pontes, o aeroporto e as comunicações a serem melhoradas, mas com o desenvolvimento chegam também desafios, aspetos negativos que temos o dever de prever, acautelar e prevenir”, acrescentou o Secretário Regional Adjunto do Presidente da Autoridade da RAEOA-ZEESM TL para assuntos de Saúde, Arsenio Bano. “Não podemos ficar na fronteira e dizer ‘este aspeto do desenvolvimento é positivo, entra; este é negativo, não pode entrar’… com o desenvolvimento aumenta a circulação de dinheiro, de bens e de pessoas e aumentam os perigos relacionados com doenças como a SIDA, o tráfico humano, a droga e o crime organizado. Mas nós sabemos isso e portanto podemos definir estratégias e políticas para minimizar estes impactos negativos do desenvolvimento”, explicou.
Junto dos mais jovens, estudantes do pré-secundário e secundário, mas também dos militares e forças de segurança pública, dos funcionários públicos, chefes de suco, líderes locais e da população em geral, a estratégia local da RAEOA-ZEESM TL, com o apoio da comissão liderada por Daniel Marçal, consiste em divulgar o máximo de informação sobre a forma de transmissão da doença – nomeadamente através de relações sexuais desprotegidas, tatuagens ou uso de drogas intravenosas – e em promover “o auto-controlo e o respeito, por si e pelo outro, em especial o outro que se ama ou se namora”, explica Daniel Marçal. Desaconselhar o sexo sem responsabilidade e a promiscuidade, promovendo a educação cívica também no domínio dos afetos e das relações sentimentais, é importante, “mas o mais importante é levar toda a informação possível sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) o mais longe possível, para que as pessoas possam fazer decisões informadas”, acrescentou. Assim, está a já a ser delineado um regresso da Comissão a Oé-Cusse, desta feita para uma incursão pelas zonas rurais e pelos locais mais remotos.
Paralelamente, ao longo destes cinco dias, a Comissão está também a realizar sessões de formação especificamente dirigidas a pessoal de Saúde e no atendimento público, sendo que destes profissionais se espera um papel ativo na promoção de boas práticas e no combate ao estigma e à discriminação, na difusão da informação correta e no célere encaminhamento de pessoas que careçam de tratamento.